"poetas
poetas são mariposas
borboletas nocturnas
asas queimadas...
um sonho breve
que se mata
contra a luz...
vidas libertas
poetas são gritos puros
para sempre adiados
danças e brados
cantares alucinados...
poetas são mariposas
voando soltos
por sobre as rosas...
"escrevi-te o último poema
depois vou esquecer-te
às vezes...
sempre que o coração deixar...
e sem pressa
sem tragédia
deito o olhar no crescente da lua
absorvo o aromas das rosas de outono
corro as persianas
acendo um candeeiro suave
sobre a poltrona
e com um sorriso doce
adormeço-te em mim...
Aqui ainda oiço, ainda vejo...
ainda oiço o coaxar da rã
ainda vejo muitas joaninhas.
Aqui o meu olhar ainda voa
no voar das borboletas das couves
e o sapo oiço a dizer que ainda anda por cá.
A vida da pequena bicharada
eu sinto à tarde, à noite e de manhã
junto à ponte romana de Orada.